Igreja a nível mundial: Evangelismo deve ser um 'estilo de vida, não um evento' declara dirigente denominacional

 

Se o seu conceito de evangelismo envolve "grandes somas de dinheiro", um "orador fora de série" e uma atitude de "mergulha e esquece" para como novos crentes, precisa atualizar sua definição, declara o Pastor Mark Finley, um dos vice-presidentes mundiais da Igreja Adventista do Sétimo Dia. "Se você encara o evangelismo como um evento, está destinado a ter resultados mínimos. Se evangelismo não for um processo contínuo, enraizado em reavivamento e igrejas locais equipadas, onde os novos crentes amadurecerão, estará destinado a ser menos do que o ideal divino", diz Finley.

Ele acredita que o evangelismo é útil e eficaz somente quando a Igreja ministra numa base contínua na comunidade. Sendo ele próprio um evangelista, Finley é um fervoroso advogado do testemunho de fé. "Se você é um crente na Bíblia, o evangelismo é relevante", ele explica, citando a instrução de Jesus em Marcos 16:15 de pregar o evangelho a todo o mundo. "Como Igreja, estamos interessados em pessoas. E esse interesse em pessoas requer interesse em evangelismo".

Mas evangelismo dificilmente pode caracterizar-se como algo à base de "tamanho único", logo aduz Finley. No seu sentido mais amplo, "evangelismo é simplesmente compartilhar a Jesus em toda forma possível como toda pessoa possível. É orar com um vizinho que esteja enfrentando divórcio. É oferecer a paz de Jesus a uma pessoa afetada pelo câncer. São pequenos grupos e o testemunho um a um".

Em anos recentes muitas comunidades cristãs, inclusive a adventista, têm recorrido ao ministério de pequenos grupos, a Internet e outras formas progressistas de evangelização, que se julga ter maior efeito sobre uma sociedade em grande parte secularizada e cética. Finley, que é também diretor do Centro de Evangelismo Global da Igreja, apóia plenamente modos experimentais de evangelismo, tais como cursos bíblicos online, evangelistas internéticos, e uso pleno de TV, rádio e outros recursos de mídia, no que ele chama de "evangelismo pessoal com toque de alta tecnologia".

Ele também crê que, mediante o método de pequenos grupos, "a Igreja pode oferecer um senso de ligação e identidade através de uma comunidade espiritual", que tem impacto particularmente sobre jovens.

Finley também acentua que tópicos doutrinários "devem ser apresentados no contexto de sua relevância ao pensamento moderno e valores modernos". Ele cita a crença adventista no sábado do sétimo dia, como exemplo. A Igreja não pode simplesmente abordar a questão como "um teste" que os novos crentes devem arbitrariamente adotar. Em vez disso, devemos apresentar o sábado "como nossa identidade numa era de evolucionismo. O sábado nos diz quem somos e transmite auto-estima e real significado a nossas vidas"--conceitos esses com que a mente moderna melhor se relaciona, declara Finley.

Conquanto seja a favor de novos métodos, Finley não pensa em dar as costas às tradicionais reuniões públicas de evangelismo. Mas, diz ele, há uma forma certa e uma forma errada de conduzi-las. Os adventistas devem continuamente avaliar a mentalidade que motiva o evangelismo público, diz ele. Qualquer esforço evangelístico que explora a manipulação emocional ou um orador celebridade, para aumentar o número de novos crentes no rol da igreja apenas macula "a autenticidade do evangelho". "Penso que oferecer Bíblias grátis ou outros materiais suplementares é motivação perfeitamente legítima para a freqüência às reuniões", aduz Finley. Mas além disso, "qualquer tipo de truque ou manipulação rebaixa o genuíno evangelismo".

Finley não critica a metodologia de evangelismo público como uma ferramenta do "Diga ao Mundo" tanto quanto questiona algumas das pessoas que realizam a obra. "A maior necessidade não são novos métodos, mas novas pessoas", diz ele. "Precisamos de uma Igreja que interaja com amigos e vizinhos. A Igreja deveria ser o 'estádio' da graça de Deus na comunidade. A Igreja deve alcançar a comunidade e compartilhar o amor de e paz de Jesus com todos".

Poucos adventistas questionam o valor de uma igreja compassivamente envolvida em sua comunidade. Mas muitos se indagam se o evangelismo público ainda atrai não-crentes. "Considerem Roma no primeiro século", sugere Finley. "Havia um povo nas garras do hedonismo, poderio militar, imerso numa cultura de artes, música e teatro--realmente os alicerces do mundo moderno--e duas religiões que haviam fracassado em propiciar sentido, e a essa cultura foi Jesus ordenou, 'Ide e pregai'".

As armadilhas do secularismo podem competir por atenção o quanto quiserem, mas não superam a instrução básica de Jesus", insiste Finley. E ele sabe em primeira mão que o evangelismo público ainda funciona, mais notavelmente em países em desenvolvimento como Índia e América do Sul.

"Dizer que não é eficaz é negar a realidade. Noventa e três por cento da Igreja Adventista está localizada fora da América do Norte. Nesses países, as pessoas estão em busca de algo que reconheçam que não possuem". Esse algo, diz ele, é Deus.

Finley concorda que as pessoas no mundo ocidental podem não estar tão sintonizadas com essa necessidade. "As pessoas podem ter grandes empregos e carros e não perceberem que carecem de Deus ou que estão em falta de alguma coisa. A vida precisa dar-lhes um chacoalhão antes de se abram espiritualmente". Em tais casos, Finley concorda que o cultivo de um relacionamento um a um pode permitir um testemunho de fé mais eficaz do que se conseguiria em grandes reuniões públicas.

A palavra-chave? Flexibilidade. Há miríades de meios de alcançar as pessoas para Cristo. Na medida em que envolvam adventistas ativamente comprometidos com o contínuo envolvimento comunitário, Finley diz que a Igreja os apóia plenamente. Por outro lado, qualquer modalidade de evangelismo que isola novos crentes numa Igreja que faz pouco ou nada para fortalecer o cristianismo recém-descoberto está atraindo o fracasso.

O presidente mundial da Igreja, Pastor Jan Paulsen, recentemente lembrou a um grupo de jovens que estudam na Universidade Adventista La Sierra quão crucial é a infraestrutura espiritual para reter novos membros. Ele disse que aqueles que estão planejando esforços evangelísticos devem coordenar com a igreja local para assegurar que os novos crentes sejam acolhidos numa forte rede de adventistas que dão apoio com o que ele chamou "energia contagiosa" para a obra do Senhor. "Vocês precisam de um senso de comunhão, comunidade e um senso de pertencer. Precisam ter pessoas que se preocupem com vocês e fortaleçam o seu bem-estar espiritual, ou morrerão [espiritualmente]".

A Igreja é o corpo de Cristo ministrando com amor e compartilhando o amor de Deus à comunidade", concluiu Finley. "Isso não acontece em três semanas, mas tem lugar perpetuamente. O verdadeiro evangelismo é um estilo de vida, não um evento".

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April 18, 2007 Silver Spring, Maryland, United States .... [Elizabeth Lechleitner/ANN]

Fonte: Rede Adventista de Notícias
http://news.adventist.org

Pastor Jan Paulsen. [Photo: ANN Files]
O Pastor Mark Finley, aparecendo num esforço evangelístico na Ucrânia, crê que o evangelismo é útil e eficaz somente quando a igreja ministra numa base contínua na comunidade. [Foto: Palmer Halvorson/It Is Written]

Pastor Jan Paulsen. [Photo: ANN Files]
"Precisamos de uma Igreja que interaja com amigos e vizinhos. A Igreja devia ser o 'estádio' da graça de Deus na comunidade", declara Finley, ao comentar como são vitais as congregações ativas para campanhas evangelísticas de êxito e sustentáveis. [Foto de arquivo da AAN]

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